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Ford vs. Ferrari: uma aula de protagonismo

Há alguns dias, assisti ao filme Ford vs. Ferrari, um dos indicados ao Oscar de melhor filme. Foi uma grata surpresa, sobretudo pela presença de personagens que representam muitos dos profissionais que descrevemos em nossas palestras e workshops.

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Baseado em fatos reais (desconheço quão reais), o filme narra uma tentativa da Ford, em crise, de concorrer com a Ferrari nas pistas de automobilismo. O objetivo principal não era somente vencer corridas e campeonatos, mas mostrar que a empresa também conseguia ser tão arrojada como a escuderia italiana.

Aí, temos o primeiro PROTAGONISTA que chama a atenção: Lee Iacocca (Jon Bernthal ). Foi ele quem ousou pensar “fora da caixa” e propor, para surpresa dos colegas, que a sua empresa deveria parar de vender carros “caretas”. Que os jovens da época – geração dos filhos dos soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial – não queriam dirigir os mesmos carros dos pais. Queriam “glamour”.

Conseguiu convencer Henry Ford II que o que importava não era apenas os carros em si, mas o que eles (no caso, os da Ferrari) representavam: vitória. “As pessoas querem um pedaço dessa vitória”, disse. Convenceu o filho do revolucionário fundador da empresa.

O passo seguinte foi ir atrás de talentos capazes de tirar o atraso em relação aos carros da Ferrari, desafio estimado em anos e até décadas.
Contrataram Carroll Shelby, um ex-piloto que havia abandonado as pistas por problemas de saúde e se tornado um pequeno fabricante e vendedor de carros esportivos.

Representado pelo ator Matt Damon, Shelby é o segundo e principal PROTAGONISTA do filme. Não apenas topa o desafio de construir um carro capaz de superar a Ferrari nas famosas 24 horas de Le Mans como gerencia com maestria as divergências entre o lado de cima – o alto comando da Ford – e o de baixo – o talentoso piloto escolhido para dirigir o veículo.

Uma das cenas mais interessantes é quando Ford II, após o primeiro (e retumbante) fracasso do novo carro nas pistas, pede a Shelby uma razão para não demitir todos os funcionários relacionados ao projeto, a começar por ele próprio. O projetista recorre ao seu talento de vendedor e negociador para convencer o “patrão” de que o ganho foi maiores que as perdas – e que uma equipe com as pessoas certas é melhor do que uma com muitas pessoas.

Isso para convencer a Ford a apostar no terceiro PROTAGONISTA da história: o piloto Ken Miles (Christian Bale). Genioso e instável, como muitos talentos que encontramos no mercado de trabalho, Miles não representa que a fabricante de automóveis quer ver refletida junto ao público. Cabe ao amigo Shelby mostrar liderança e jogo de cintura para saber o momento certo de comprar briga pelo piloto, enfim, o momento certo de arriscar.

Um momento bacana é quando Miles demonstra comprometimento com a equipe e com o projeto. Também mecânico, ele segue trabalhando no aprimoramento do carro, mesmo depois de ser dispensado por Shelby da função de piloto.

Enfim, Ford vs Ferrari é apenas um filme, mas também uma aula de protagonismo. Aproveite a quarentena do coronavírus para dar uma conferida (no YouTube ou no Google Play).

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